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domingo, 28 de novembro de 2010

"Saio deste projecto uma pessoa mais valorizada"

“Ao fazer o balanço final do Processo RVCC, tenho de reconhecer que foi uma experiência muito positiva. É um conselho que dou a todas as pessoas, que não desperdicem esta oportunidade, porque poderão aumentar a sua qualificação escolar, concorrer a empregos que exigem níveis escolares superiores aos que têm. Proporciona valorização pessoal, permitindo identificar as experiências mais significativas da nossa vida e que, muitas vezes, não são valorizadas, porque estavam esquecidas e “arrumadas”.
Sempre que me dirijo ao Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Fernando Namora, para mais uma sessão, em cada passo que dou, o tempo parece que recua, é como se voltasse aos tempos de estudante, é uma sensação que não consigo descrever.
(...) Saio deste projecto uma pessoa mais valorizada, a nível pessoal e profissional, com mais conhecimento e olhando para o futuro de forma mais confiante e decisiva. Muitas coisas mudaram no meu dia-a-dia, desde a alimentação à preservação do ambiente. Quanto à alimentação, excluí, por completo, dos lanches do meu filho, alimentos açucarados, como croissant com chocolate, fast-food, que são autênticas “bombas atómicas” de gorduras e hidratos de carbono. Nunca tinha pensado nas consequências que poderão surgir no futuro, com o consumo em excesso deste tipo de alimento. Na preservação do meio ambiente, comecei a ver o problema da poluição com outros olhos, não fazia ideia que algo tão simples como deitar um papel para o chão pudesse trazer consequências gravíssimas para o futuro, porque depois não sou só eu, são milhares de pessoas em todo o mundo a ter este comportamento. Seja que tipo de lixo for, se não houver contentores perto, guardo-os e coloco no contentor quando chegar a casa.
Durante este Processo, fui convidada a participar numa palestra proferida pelo Prof. Doutor Jorge Paiva, um senhor com um aspecto magnífico, cheio de energia, e que falava sobre “Biodiversidade, Água e vida”, outro assunto que até aqui me era totalmente desconhecido. A biodiversidade é muito importante para a vida na Terra, pois este elemento é constituído por toda a diversidade de animais, plantas e microrganismos existentes no planeta, sem eles não poderia haver vida na terra. A água parece ser inesgotável, mas não é bem assim, as reservas de água potável são cada vez menores, e sem água não poderá haver biodiversidade, sem biodiversidade não pode haver vida na Terra. Simples rotinas domésticas como lavar louça, tomar banho, utilizar desinfectantes sanitários, despejar resíduos alimentares nos esgotos, contribuem para que cada vez haja menos fontes de água potável, sem falar dos grandes poluidores industriais, que muitas vezes fazem os seus despejos em importantes linhas de água.
Comecei a interessar-me mais pela leitura e, neste processo, também tive a oportunidade de participar na Tertúlia Literária “Arte de saber Ler”, com José Fanha, que nos falou um pouco da sua história de vida e da importância da leitura: ler e educar a nossa mente, mantendo-a sã. A leitura enriquece o nosso vocabulário, leva-nos a “viajar” e desperta sentimentos…”

Margarida Silva (candidata à certificação de Nível Secundário)

Imagem disponível on-line em http://t1.gstatic.com/images?q=tbn:Sf0lTJfeEMrqpM:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj_h4_yn1ENfehkHuFacc9J-I1_eGT8v1XeSm-hW7SpusXyZHtgEpaIMKwuIWCKJN5LFLHbameZ65RcuOUaPfDkNgIPsV0ThdA6kt9CtPBNseAVz8i7qSmgjOQe5VRjSSKTvniolYalM2c-/s400/LIVRO+++Da++Vida.jpg&t=1

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Testemunho de um candidato certificado

Quadro pintado por Mário Rasteiro


Além de uma “nova oportunidade”, este Processo foi também uma grande oportunidade. O caminho não foi longo, mas foi trabalhoso, foi um reviver de acontecimentos, um aprofundar de ideias e melhoramento de saberes. Não considero terem sido horas perdidas de trabalho, foram antes, horas passadas a arrumar e a seleccionar ideias e vivências, há tanto tempo guardadas no sótão da minha memória. Por vezes, a noite já ia longa, mas a vontade de ir mais além, era mais forte. Tive dúvidas na abordagem de alguns temas, onde os meus conhecimentos eram limitados. Desanimei um pouco, mas nunca pensei em desistir. Essas dúvidas foram até benéficas, obrigaram-me a procurar respostas, a ler mais e com isso melhorei e valorizei os meus conhecimentos. Um grande obstáculo que encontrei durante o processo RVCC, foi a coincidência entre as sessões de grupo e o meu horário de trabalho. Nem sempre me foi possível trocar o turno, mas quando o conseguia, tinha de assegurar o turno nocturno o que originava maior desgaste psicológico. Mas todo o esforço foi recompensado. Os meus laços de amizade foram alargados e não me refiro apenas aos colegas de grupo, mas também aos elementos da Equipa do Centro. Considero ter, em cada um deles, mais um amigo e espero que essa amizade seja uma bandeira sempre erguida.
Mário Rasteiro
Candidato certificado com o Nível Secundário

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Tela de competências

Não pude deixar de comentar, em jeito de “Balanço”, o decorrer do processo de certificação para o nível secundário (RVCC), que concluí a 11 de Novembro.
Foi uma grande experiência, um desenrolar de vivências e aprendizagens que nos suscitam diversas emoções e que nos fazem sentir em forma. Isto, porque o bem-estar físico e psíquico passa, também, por activar o nosso cérebro e exercitar a nossa memória, sendo o processo, nem mais, nem menos, do que o relato das nossas memórias, de onde são extraídos e desenvolvidos temas de interesse pessoal, social, cultural e político, temas actuais e globais que exigem investigação e estudo, sentindo-me, hoje, muito melhor formada. Melhorei, em consequência da realização do processo, o meu vocabulário, a organização de um texto escrito, o meu poder expositivo e argumentativo assim como, desinibi também, a relação com o computador. Descobri aptidões e, de facto, a escrita é um prazer, tal como é a pintura.
Cruzei-me com colegas de grande valor que, tal como eu, não tinham uma certificação de nível secundário. Construíram carreiras profissionais de sucesso e exibiram muito conhecimento e saber. Está confirmado, as Novas Oportunidades são um meio de repôr justiça, certificando pessoas dignas de equivalência a um nível, neste caso, secundário.
Tem perfil para este processo, quem tiver coragem e espírito empreendedor, pois ao contrário do que muitos julgam, não é um processo fácil. Exige disponibilidade e entrega, bem como, esforço e algum sacrifício, no fundo, exige atitude e há que definir prioridades na nossa vida.
Na minha apreciação ao CNO da escola, devo dizer que é formado por profissionais e formadoras exigentes que apresentam, esclarecem e sugerem trabalho, sendo o resultado final mérito do adulto. Sinto, no entanto, que devo agradecer o facto de logo no início me ter sido reconhecido valor, assim como, a preocupação demonstrada e o empenho em que terminasse representada de forma justa. Por tudo isto, o meu muito obrigado.
A construção do meu portefólio foi um verdadeiro prazer, bem como, a pintura de uma tela que acompanhou todo o processo e que exprime a forma, o meu modo singular, de ver a vida e o mundo. Continuarei a investir no meu crescimento pessoal e espero que o CNO continue a sua tarefa de qualificar pessoas, sempre com a óptima qualidade que mostrou possuir. Parabéns!

Maria João Duarte, certificada no nível secundário no dia 11 de Novembro.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Testemunho

Agora que acabei o nível secundário através do processo RVCC, faço uma análise mais profunda e mais realista, baseada na minha aprendizagem e nas competências que eu evidenciei ao longo de vários meses de trabalho. Foram muitas as horas que eu passei no computador a elaborar o meu Portefólio Reflexivo de Aprendizagem (PRA). Durante os fins-de-semana, nas noites e madrugadas que, por vezes, se estendiam até às 3 horas da manhã, passaram pela minha cabeça centenas de ideias e assuntos sobre os quais eu gostaria de escrever. Se não fossem registados nessas alturas, corria o risco de me esquecer.
O meu PRA foi totalmente elaborado em formato digital. A Internet e o correio electrónico foram muito importantes para o desenrolar deste processo. As sessões individuais e as de grupo foram presenciais, tudo o resto foi tratado por email.
Para quem diz mal das Novas Oportunidades, eu digo: ou não as conhece, tendo uma ideia errada deste processo, ou então é por despeito ou maledicência. Só quem passa por aqui poderá dar valor aos adultos que se esforçam para melhorar o seu nível escolar e, porque não, preparando-se e valorizando-se para os novos mercados de trabalho.
Em relação ao CNO Fernando Namora, tenho a dizer que gostei imenso de ter frequentado as Novas Oportunidades neste estabelecimento de ensino. Tem profissionais competentes, empenhadas na certificação de adultos com mais de 18 anos. Falo em particular da profissional que me acompanhou ao longo de todo o processo e das formadoras e formadores com quem tive o prazer de trabalhar. Não posso deixar de realçar, o seu profissionalismo, o seu empenho, a boa formação moral e cívica evidenciada nas sessões individuais que tivemos.
Para não ser mal interpretado, porque tenho consideração por todos eles, não vou mencionar o nome da profissional e dos formadores que me acompanharam mas, eles sabem quem são. Foram o cimento, a areia e as pedras que permitiram construir e realizar a minha certificação.
Para terminar, deixo uma mensagem de incentivo a quem tem dúvidas sobre as Novas Oportunidades. Não acreditem em tudo o que ouvem e não tenham medo de investir na vossa formação. Aqui trabalhamos, partilhamos conhecimentos, adquirimos métodos de trabalho e caminhamos rumo ao futuro. Cada adulto tem um percurso pessoal e único mas, com esforço e vontade, todos conseguem a certificação.


Cumprimentos deste vosso colega, certificado no nível secundário, a 11 de Novembro de 2009

Augusto Carvalho Marta